
Fragmento de parede de kratêr – Castro de Santa Olaia
Kratêr era uma espécie de vaso grego utilizado para “misturar vinho e água”, geralmente colocado no centro do Symposium grego.
A peça que propomos para este mês, é um raro fragmento de parede de kratêr, com decoração figurativa a vermelho, encontrado na sondagem III – estrato 3, no decurso das últimas campanhas arqueológicas efectuadas no povoado de Santa Olaia.
É um fragmento de estilo ático, datado entre 400-350 a. C., e que apresenta na superfície externa, uma personagem masculina, com barba e cabelos ondulados, o último caído sobre o peito. Ostenta uma coroa de louros, fixa por uma tira sobrepintada de branco. Peito e ombro nus, sobre os quais um manto.
A decoração figurativa, a vermelho, passou a ser regularmente usada a partir de 530 a. C., tendo possivelmente sido introduzida pelo Pintor de Andócides. Ao contrário da técnica de figuras negras, esta consistia em cobrir de negro todo o fundo do vaso, deixando reservado o espaço destinado às figuras. É este o estilo que vai predominar até ao final desta arte, 300 a. C., surgindo o seu declínio associado ao período da Guerra do Peloponeso (431-404 a. C.), que de um modo nefasto, iria afectar a vida económica e o comércio.
A cerâmica grega encontra-se distribuída pelas várias regiões de Portugal. Encontramos vestígios abundantes no Sul, alguns no Centro e no Norte de Portugal, contudo, quase sempre no litoral, ou em áreas cujo acesso era facilitado através dos cursos de água, como era o caso do povoado fenício de Santa Olaia, na Figueira da Foz.